Qual a importância do investimento estrangeiro para a energia boliviana?

Pergunta:

Em junho, o presidente boliviano Evo Morales viajou para a Rússia, onde se reuniu com o presidente Vladimir Putin e recebeu promessas de investimentos no setor de hidrocarbonetos do país andino, entre outros, com o produtor russo de gás Gazprom se comprometendo a investir US$ 1,2 bilhão em exploração e produção de gás na Bolívia. Como está o setor de gás da Bolívia este ano? O compromisso da Rússia em investir no setor energético do país sul-americano lhe dará um impulso significativo? Qual a importância do investimento estrangeiro no desenvolvimento de hidrocarbonetos bolivianos e até que ponto a indústria está apoiando a economia boliviana como um todo?

Resposta:

Mauricio Becerra de la Roca Donoso

Sócio Diretor da Becerra de la Roca Donoso & Asociados SRL (BDA Abogados)

Durante a visita de Evo Morales à Rússia, em junho de 2018, a Gazprom comprometeu-se a investir US$ 1,2 bilhão em exploração e produção no campo terrestre de Vitiacua, no sul da Bolívia, com a perfuração de dois poços exploratórios, seis poços de desenvolvimento, adicionando um total de oito poços, com uma produção máxima esperada de 400 milhões de pés cúbicos nos próximos anos. De acordo com a YPFB, o bloco de Viticua, na bacia de petróleo e gás de Chaco, tem reservas potenciais de 2,17 trilhões de pés cúbicos.

É importante notar que, em 2016, tanto a Gazprom quanto a boliviana YPFB já assinaram e acordo para explorar os blocos La Ceiba, Vitiacua e Madidi, portanto, o recente acordo basicamente confirma o investimento a ser feito pela Gazprom.

A Gazprom está presente na Bolívia há mais de uma década. A empresa não opera nenhum campo de gás na Bolívia, mas é parceira da Total E&P (operadora de projetos), Tecpetrol S.A., e da YPFB no desenvolvimento de blocos de óleo e gás Ipati e Aquio. A Gazprom e a Total E&P também implementam um projeto de exploração de hidrocarbonetos no bloco Azero.

Para cumprir a entrega de contratos de exportação de gás com Brasil e Argentina, a Bolívia precisa atrair e consolidar investimentos estrangeiros na exploração e exploração de hidrocarbonetos. O recente declínio na produção de blocos de gás antigos e o aumento atual da demanda interna de gás, que deve crescer 10% ao ano, atingindo facilmente até 20 MMm3 por dia até 2020, tornam isso uma prioridade no setor energético.

Os principais projetos de exploração são Boyuy (potenciais 4 TCFs) e Boicobo (1,13 TCFs), na área de Caipependi Sul de La Paz. O consórcio formado pela Repsol, PAE e Shell assinou um acordo com a YPFB para prorrogar o prazo do contrato para a área de Caipipendi por até 15 anos (até 2046) e investir no mínimo 500 milhões de dólares nos próximos anos.

Além disso, a YPFB e a Petrobras assinaram contrato para os campos de San Telmo e Astillero anunciando um investimento de 1200 milhões de dólares com uma reserva estimada de 4 TCFs para garantir a ampliação do contrato de venda de gás com o Brasil para além de 2019. Este projeto enfrenta atualmente desafios de ambientalistas locais.

É muito importante consolidar esses projetos considerando que a exploração é um empreendimento de longo prazo que leva cerca de onze anos para começar a produzir gás e a demanda de gás da Bolívia continua aumentando.

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